Agricultura Sustentável

Quando começámos este projecto, pouco sabíamos acerca de agricultura. As ervas aromáticas surgiram principalmente como uma solução sustentável, no que diz respeito à pouca necessidade hídrica, à sua resistência tendo em conta as condições edafoclimáticas do Alentejo e pela sua procura no mercado externo. A mais valia de viver na natureza, também foi sempre um objectivo em mente.

Vivemos num espaço em que temos reservado, 2 hectares para a plantação e 6 hectares para desfrutar da natureza. Durante este tempo, observámos, experimentámos, errámos e melhorámos, mas nunca iremos aprender tudo o que a natureza tem para nos ensinar. Foram séculos de evolução, adaptação e de selecção que todos devíamos respeitar e venerar.

Aqui, no nosso paraíso, tentamos não agredir a natureza, reconhecemos a mais valia e os recursos que a mesma nos dá, e com eles temos a possibilidade de valorizar a qualidade e a especificidade dos produtos.

A natureza é muito, mas muito generosa, qualquer metro quadrado de terra pode produzir imenso, se a respeitarmos, e, aproveitarmos os sinais que transmite. A agricultura biológica foi e é um caminho sustentável, o caminho que escolhemos. O que importa é, trabalhar com a natureza, manter a biodiversidade e o seu patriomónio genético, cultural e ambiental, respeitar as estações, produzir espécies autóctones, adaptar, usar prácticas agrícolas sustentáveis, respeitar o meio envolvente, respeitar o solo, respeitar, respeitar, respeitar....

O solo, tudo começa e acaba no solo, preservar o solo, a sua qualidade mineral, estrutural e biológica é fundamental. Quando a terra, o solo, se esgotar, não vão haver colheitas, forragens para os animais, alimentos, árvores, animais, nada, só vai existir o homem, com poucos anos de vida. Uma das principais causas de erosão dos solos são o uso de fertilizantes e pesticidas químicos, tão utilizados no Alentejo nos tão famosos olivais intensívos e super intensívos. É com grande tristeza observar o decadente mosaico monocultural, que encontramos pelo Alentejo todo, e é do conhecimento de todos, que o uso de pesticidas e adubos é practica comum no olival intensivo e super intensivo. O nosso olival tradicional, o nosso montado, tem vindo a ser, arrancado, e substituído por estes arbustos de oliveira a que chamam de olival. Olival este, que potencia a erosão e o fim da biodiversidade. Deixam de existir toda uma fauna e flora que compõem a paisagem alentejana. A fauna e a flora que se encontra no olival tradicional e no montado, que nos representa, que é nosso património, construido por nós, resultado de um processo centenário de selecção e propagação das espécies mais resistentes, como as oliveiras de variedade Galega, Cordovil de Serpa, Verdeal Alentejana e Cobrançosa.

Cabe-nos a nós, enquanto consumidores sermos exigentes no acto da escolha, da compra. Estamos a comprar futuro ou desolação? Por isto e muito mais, a sustentibilidade agrícola, está directamente ligada à sustentabilidade ambiental, só assim faz sentido e só assim deve ser.